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Eu estava na prisão, o cheiro de mofo e desespero impregnado na pele, uma cicatriz latejando nas minhas costas.
A porta da cela se abriu e Marina, deslumbrante como sempre, mas com um brilho gélido nos olhos, apareceu.
"Gabriela, está na hora."
Meu coração bateu descontrolado. Hora de assinar os papéis para outra doação de órgão.
Eu sabia o que aquilo significava: a morte. Uma pessoa não sobrevive sem os dois rins.
"Eu não vou", minha voz saiu fraca.
Ela apenas sorriu. "É para a Luiza."
Meu mundo congelou. Luiza estava morta.
Mas Marina disse que não. Que Luiza estava em coma e precisava de um doador compatível. Eu.
Tudo se encaixou: a "morte" de Luiza, meu aprisionamento, a primeira doação forçada. Era tudo um plano para me aniquilar.
"Eu já te dei tudo, Marina! Carreia, meu amor, meu rim. Isso vai me matar!"
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